Toada da Saudade  

Postado por Elizabete

Candeeiro, candeeiro...
É lâmpada do meu sertão...
Boiadeiro é boiadeiro...
Caboclo de coração...

O meu nome aqui na terra..
Nem é preciso perguntá...
Sou mais um João da Serra...
No sertão do Ceará...

Minha história é verdadeira...
Quando eu fui pra Bodocó...
Matei uma volante inteira...
Usando uma bala só...

O macaco mais brabo tombou de primeira...
E esse foi o segredo...
O resto desabalou na carreira...
Se borrando e morrendo de medo...

Minha senhora e meu angana...
Minha toada eu vim tirá...
Eu me chamo Rei Okana...
O Ganga Kaminalôá...

Bem no sertão do norte...
Lá pras bandas do Pará...
Eu era o dono da vida e da morte...
E há ainda quem me veja por lá...

Já zoei de cabo a rabo...
E de mim nada escapa...
Já amansei cavalo brabo...
E onça parda no tapa...

Quem duvidar dessa inhaca...
Tem que ter muito culhão...
Pra roer ponta de faca...
E aparar tiro na mão...

Cabra macho no sertão...
Quando ouvia o meu berrante...
Cagava fino na mão...
E se sumia no mesmo instante...

Viajei por muitos lugares...
Galopei por caminhos diversos...
Aqui eu deixei os esgares...
Dos meus sentimentos dispersos...

Lembranças da minha terra...
Da minha Belém do Pará...
Aonde a saudade encerra...
A toada que eu vim cantá...

E foi pra isso que eu vim...
Pra esse recado deixar...
Basta só crer em mim...
Que todo mal passará...

Direitos autorais protegidos pela lei 9610/98


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A Mão  

Postado por Elizabete

A mão que fala por sinais
Abrange os nossos ideais
E tem as suas expressões
Mão que acalanta uma flor
Mão que aquece com seu calor
Todas as nossas emoções

Mão que num simples aceno
É um afago bem ameno
Quando vem as despedidas
Acenando num simples adeus
Juntando as palmas roga a Deus
Mostrando estarem sempre unidas

A mão é uma fonte de energia
Quando vai descrevendo a poesia
Em tudo o que a gente faz
Apertando uma outra mão
Sela uma grande união
E representa um pacto de paz


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A volta do Boiadeiro  

Postado por Elizabete

Lá no interior de Belém
Onde a lei não existia
Mais forte do que ninguém
A minha própria eu fazia

Em Belém ficaram registrados
Perdendo-se nos calendários
E até hoje ainda são lembrados
Os meus feitos audazes legendários

Quantas saudades senti
Ah! que saudade me dá
Da terra em que outrora eu vivi
Da minha Belém do Pará

Saudades dos meus amores
Do açaí e do tacacá
Dos lindos campos em flores
E o canto do sabiá

Dos vales, dos bosques floridos
Da relva beijando o vento
Dos meus amores perdidos
Dentro do meu pensamento

Quando o rio ia enchendo sorrateiro
Tombava na dura terra enfraquecido
O corpo do grande boiadeiro
Sabendo que jamais seria esquecido

Na mente trago lembranças de fogueiras
E lá no fundo, juntinho do coração
As saudades daquelas noites fagueira
Do luar formoso do meu sertão

Do vento assoviando
Nos verdes vales em flores
Onde o Uirapuru vivia cantando
As saudades dos meus amores

A mata formosa e verdejante
Qual um tapete macio
Cumprimentava o viajante
Refletida nas águas do rio

A pistola era minha companheira
Herança maior que meu pai deixou
De todo o sertão foi a mais ligeira
E sendo assim a que mais matou

A fogueira que me aquece
Desperta os meus sentidos
E se o inimigo não esquece
Não esqueço também seus gemidos

O fogo ardente que aquece e ilumina
Esconde às vezes o perigo da fumaça
E o mesmo fogo ardente te fascina
E bem depressa a tua vida passa

Hoje na luz é que eu entendo
Que o bem é força sem igual
A prenda no verso que estais lendo
Que só o bem não acaba mal

Outrora onde foi minha morada
Encontrarás a ruína que ficou
Mas sentirás na natureza enamorada
A fibra do boiadeiro que voltou

Direitos autorais protegidos pela lei 9610/98


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